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Evangélicos e pseudo-espíritas querem transformar Brasil em uma teocracia

Já falei aqui que religião só é bom se permanecer limitada ao âmbito cultural. Aplicada a realidade ela se torna nociva, pois impõe ao nosso cotidiano ideias e seres sem comprovação real, muitas vezes surgidos na imaginação de quem lidera as diversas igrejas e seitas.

O fanatismo que faz com que pessoas estejam submissas a um ser que só existe na mente delas é perigoso pois transforma opiniões pessoais em leis e regras a controlar a humanidade, não raramente gerando danos graves e até mortes.

E infelizmente, há quem ache que não somente divindades devem impor as suas leis como também deveriam governar politicamente o mundo. Muitas seitas ainda pensam nessa ideia tipicamente medieval de transformar divindades em líderes políticos - e vice-versa.

Vemos as consequências de erro louco nos países islâmicos. Como o islamismo aqui ainda não e forte, outras seitas se ofereceram para realizar o trabalho sujo de transformar o Brasil em uma teocracia: algumas igrejas evangélicas e, pasmem, o "Espiritismo" brasileiro (que nada tem a ver com o Espiritismo original, embora seus líderes e seguidores achem que tem a ver).

Ambos lançam mão de vários meios para que o Brasil se transforma literalmente em uma teocracia, que é o nome que se dá ao sistema de governo divinizado, onde "Deus" é transformado em governante e os políticos, como representantes máximos da divindade-mor.

Os noticiários já mostraram os empenhos dos religiosos nisso. Um deputado tentou mudar o texto da Constituição que diz que o poder emana do povo, substituindo a palavra "povo" para "Deus". Outros querem impor o ensino religioso nas escolas. Muitos criam leis que beneficiam cada seita. Todos desrespeitando a laicidade de nossa democracia.

Laicidade que já é ferida com uma declaração existente na Constituição ("sob a proteção de Deus"), com uma frase em nossas notas de dinheiro (Louvado seja Deus) e com a a colocação de símbolos religiosos como cruzes e similares em repartições públicas.

Lembrando que, para piorar tudo, o presidente da Câmara Federal é Eduardo Cunha, um líder evangélico. Por lei, ele tem a função de substituir o Vice Presidente quando este não puder governar o país no lugar do Presidente, igualmente impossibilitado por causa de compromissos. Cunha, ao sentar no "trono" certamente o fará em nome d a divindade em quem acredita.

Data Limite, a teocracia dos espíritos

E se pensam que é exclusividade dos evangélicos todo esse proselitismo teocrático, se enganaram feio. A versão deturpada do Espiritismo, praticada no Brasil, que teve a audácia de transformar algo que deveria ser uma ciência em uma sita igrejista de fé cega, também quer que o Brasil seja uma teocracia. Embora supostos "algozes" dos evangélicos, os pseudo-espíritas se unem a eles nesse objetivo infame.

O sonho comum sonhado por Chico Xavier e que não deveria ser levado a sério por seus aspectos pueris, foi transformado em "profecia" no intuito de aumentar o já gigantesco falso prestígio do médium, num ato publicitário feito para esconder seu charlatanismo. 

E um livro e um documentário foram produzidos para reforçar isso e transformar o médium que não sabia de nada em "novo Nostradamus" a "guiar" a humanidade. Sonho que vai contra a doutrina espírita original em inúmeros pontos. Até existe um livro que desmascara de vez a farsa do Data Limite, que é a gênese de Allan Kardec. Interessantes os pseudo-espíritas: bajulam Kardec quando não conseguem perceber que o professor lionês possui as condições para desmascará-los.

Bom para a FEB, criadora do mito "Chico 'amor' Xavier", que receberá mais dinheiro vindo das vendas dos livros assinados pelo médium. Boa para os seguidores. que agora tem um "líder" poderoso a manobrar as suas inertes cabecinhas. Ruim para o Brasil que terá que mudar suas leis para agradar a um bando de lunáticos a acreditar que um Gigante Invisível tem todo o direito de se meter em nossas vidas.

O "Data Limite" e as decisões de lideranças evangélicas representam o mais atrasado retrocesso que irá nos devolver à Idade Média. Lembrando que nosso país é jovem e surgido após o citado período, pode ser que tenhamos que passar por ela para depois de muitos danos graves recobrarmos nossa consciência e lutar por uma renascença que será difícil de ser recuperada. 

Que venham às trevas, afinal.

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