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Suposta mensagem de filho de Carlinhos de Jesus reacende moralismo medieval "espírita"

O FALECIDO EDUARDO DE JESUS, AO LADO DO PAI, COREÓGRAFO CARLINHOS DE JESUS.

O moralismo medieval existente no "espiritismo" brasileiro - aspecto explícito, mas renegado pelos seus membros e seguidores - se reascendeu com mais uma mensagem atribuída a um jovem músico carioca que foi assassinado há quatro anos.

Vamos à história da tragédia. Carlos Eduardo Mendes de Jesus, ou simplesmente Eduardo de Jesus, era um sambista. Era filho do bailarino e coreógrafo Carlinhos de Jesus. Ele integrava a banda Improviso, que depois mudou seu nome para Samba Firme. Ele se apresentava numa boate em Realengo quando, na saída deste lugar, na noite de 19 de novembro de 2011, foi morto a tiros.

Investigações posteriores descobriram que seis PMs estavam envolvidos no assassinato. Há suspeitas de motivação passional ou vingança, uma vez que, três meses antes, os outros integrantes do Samba Firme se envolveram em uma discussão com um PM. Os seis suspeitos estão detidos esperando julgamento.

Em 2012, o sensacionalismo "espírita" resolveu tirar uma casquinha do caso e foi produzida uma mensagem supostamente atribuída a Eduardo de Jesus. Pouco depois da suposta psicografia, o líder "espírita" Alamar Régis Carvalho, que fugiu de Salvador depois de pagar mal seus empregados e por isso carregar um monte de processos trabalhistas nas costas, foi fazer palestra lá.

Tendencioso, Alamar tenta fazer o papel de "bom espírita", fingindo reprovar severamente os deslizes do "espiritismo", despejando expressões como "espiritismo à moda da casa" e "Vaticano Espírita". Jura ser completamente fiel a Allan Kardec, mas também é fascinado pelos dois maiores traidores da doutrina kardeciana, os anti-médiuns Chico Xavier e Divaldo Franco.

Alamar elogiou o trabalho do tal Centro Espírita Irmã Lúcia, um dos zilhões de "centros espíritas" existentes no Brasil, com nomes de "irmãs", "freis", "padres" e outros títulos católicos, comparando o trabalho do "médium" que "recebeu" Eduardo de Jesus e outros ilustres famosos e não-famosos, o também presidente da casa, José Fernando de Araújo, ao "querido" Chico Xavier.

Só mesmo o apoio de um "espírita" pão-duro para dar crédito. Alamar, com sua mão-de-vaca na sua Editora Seda, só pagava o almoço dos funcionários, deixando os salários pendentes não se sabe quando, enquanto ele e a família tinham todo o conforto. Tinha empregada lá que era mãe solteira e não tinha dinheiro para pagar o plano de saúde para sua filha.

Alamar ainda achava que os funcionários deveriam pagar de graça "por caridade", confundindo ganhar salário com nadar em dinheiro. Com salário, os funcionários pagam as contas, compram cesta básica, pagam aluguel, investem numa vida digna de seus familiares e cobrem tantos gastos necessários para ter um mínimo de qualidade de vida.

Daí esse "brilhante aval" a um "centro espírita" que é tido como "conceituado". Faz parte. Se Chico Xavier e Divaldo Franco já demonstraram seu forte teor de charlatanismo - não, isso não é raiva, inveja nem intriga, a "injusta" acusação é verídica, mesmo - , imagine então os "menos tarimbados"?

Vamos reproduzir abaixo a mensagem atribuída a Eduardo de Jesus, cujo aspecto negativo a destacar é a "inocência" que o suposto espírito roga a um dos PMs, provavelmente o líder do bando que o matou, embora não haja crédito de qual dos PMs envolvidos teria sido.

Em todo o caso, nota-se nesse "apelo à inocência do PM" um julgamento de valor medieval, sempre criando uma justiça invertida, na qual as vítimas são as culpadas e os algozes são os inocentes. Esse julgamento de valor teve exemplos, no Brasil, através da ditadura militar e seu suposto "combate ao comunismo" e o feminicídio machista, que usava a desculpa da "defesa da honra" masculina.

Portanto, é esse julgamento medieval, das vítimas "culpadas" e algozes "inocentes", que movimenta o "espiritismo" brasileiro e do qual supostos médiuns já usurparam nomes como Humberto de Campos, Santos Dumont e, agora, Eduardo de Jesus, para promover esse trote de mau gosto da culpabilidade invertida.

Leiam o texto, e, depois, a mensagem do próprio Carlinhos de Jesus, que não viu autenticidade na suposta psicografia e que não acredita na inocência de qualquer dos policiais envolvidos no assassinato. Afinal, todos teriam participado do crime, segundo as denúncias, e só a investigação é que vai verificar ou não a inocência.

Carlinhos pediu para que fosse tirado do ar o vídeo da suposta mensagem, temendo que ela servisse para promover a impunidade aos PMs, já que, apesar da mensagem citar apenas "um deles", ela pode refletir para a inocência de todos e até à promoção da simpatia da opinião pública, recurso que infelizmente já foi feito por outros homicidas históricos. Vamos à mensagem:

"Pai Carlinhos, estou bem. 

A mãe Neide e o vô estão ao meu lado. Pai, com saudades do Ruan, mãe Rachel, Tainah, Gi e toda a galera do Improviso, que se tornou o Samba Firme. Pai, agora não precisa mais comprar o carango novo. O transporte aqui é maneiro. 

Bem, pai, sabe que desde moleque nunca foi meu lance escrever, e sim curtir a vida. Então, vamos lá. Pai, estou escrevendo para dar notícias e também para falar que, daqui é lei não acusar, mas podemos inocentar. 

Então, é o seguinte, pai Carlinhos: o PM é inocente. É isso mesmo, pai. O PM é inocente. Deixa pra lá. A justiça de Deus toma conta e dessa ninguém escapa. 

Pai, fala para o Ruan que, além do braço, tatuei em meu coração. Mana Tainah, desencana e vai ser bem feliz com o Gi, e formem uma família bem bonita, para preparar minha volta. (Demorou). Mãe Rachel, obrigado pelas orações e por tudo, lhe estimo muito. Ruan, filhão, te amo mais ainda. Pede para sua mãe para encaminhar espiritualmente. Gi, garotão do bem, bacana, não esqueci da promessa e de cumprir os votos. 

Galera do samba firme, Júlio Preto, Vaguinho, Leozinho, Rogério e Canguru, firmes no Samba firme. Chega pra cá na roda do Marquinhos. Tem bamba. 

Pai, para você entender um pouco quando aconteceu, vaguei um pouco pela Vila Vintém, e depois tudo escureceu, aí acordei numa cama maneira de hospital, com lençóis muito brancos, e logo depois a mãe Neide veio ficar ao meu lado. 

Pai, quero lhe fazer um pedido: é que herdei um sorriso mais bonito, mas o seu é maior. E, pai, o seu faz parte de sua alegria, então, tá fechado. Cada vez que você sorrir, eu sorrirei junto. Rogério, dá uma força para o Samba Firme. 

Repito, pai, o PM é inocente. Agora, tenho que terminar, e te dizer que sou muito grato pelos seus conselhos e por ser seu filho. Com a mãe Neide, juntamente, abraços a todos. Do sempre grato, Dudu de Jesus. Que Deus esteja com você. 

Carlos Eduardo Mendes de Jesus (sic)".

Agora, a mensagem de Carlinhos de Jesus:

"Prezados amigos do Facebook.

Gostaria de fazer um pedido a todos.

Tenho recebido diariamente mensagens e links com vídeo, referentes a uma carta psicografada pelo meu filho. Lembro que o mesmo conteúdo já me foi enviado há mais de um ano. Já tenho conhecimento.

Sei também que todos têm a melhor das intenções em enviar-me alertas para que eu veja. Agradeço muitíssimo o carinho de todos!

Mas o processo já está concluído, os réus estão presos e aguardando julgamento. Sem sombra de dúvida as investigações levaram a todos os seis envolvidos no crime. A psicografia não condiz com os fatos e enfatiza a inocência de um policial, quando, sem sombra de dúvidas os maiores e comprovadamente envolvidos são policiais, ex-policiais e até um candidato a ingressar na polícia.

Não é que eu não acredite no Espiritismo. Acredito e respeito muito! Tenho profunda relação com o Catolicismo e o Espiritismo. Mas acredito que esse vídeo em especial não relata a realidade.

Fico comovido com a intenção de todos ao me enviarem mensagens e agradeço novamente. Mas os fatos já foram apurados, o processo quase pronto, os indivíduos presos. Só nos resta o julgamento ainda sem data.

Quando for divulgado, aí sim, conto com a mobilização, pensamento positivo, energia e divulgação de todos. Assim conseguiremos ter um julgamento justo!

Tenho certeza do entendimento de todos.

Meu afetuoso abraço.

Carlinhos de Jesus e família".

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