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Chico Xavier parece um personagem de Franz Kafka ao avesso

O ESCRITOR TCHECO FRANZ KAFKA, FAMOSO POR SUAS OBRAS SURREAIS.

Por Senhor dos Anéis

O Brasil tornou-se um país surreal por excelência e virou terreno fértil para a irregular religião do "espiritismo" brasileiro, que rompeu com a essência de Allan Kardec só aproveitando dele a ideia de vida após a morte e reencarnação.

A religião do "espiritismo cristão" preferiu herdar a essência e os fundamentos do Catolicismo português, que na época do surgimento da Federação "Espírita" Brasileira, em 1884, ainda sofria influências medievais. O "kardecismo" que se torna, no discurso, o "sinônimo" de "espiritismo" feito no Brasil, quase nada aproveita dos ensinamentos do professor lionês.

Pelo contrário. Nos seus primeiros anos, a FEB preferiu apostar nas ideias de Jean-Baptiste Roustaing, supostamente tida como modernas, mas bastante retrógradas. Em muitos aspectos, Roustaing retrocedia a doutrina de Kardec para aspectos surreais originários do Catolicismo medieval, evocando o Docetismo que acreditava no mito do "Jesus fluídico".

Para os docetistas, Jesus não teria vivido entre nós senão na condição de um "fantasma" que se supôs encarnado porque era tido como dotado de dons extraordinários. Jesus não teria sido um humano comum, e suas dores não teriam sido sentidas, porquem de acordo com os adeptos desta tese, ele não portava o corpo material.

O roustanguismo foi defendido com entusiasmo pela FEB até meados dos anos 1970. Chico Xavier foi seu adepto, mas em muitos momentos tinha vergonha em assumi-lo. Divaldo Franco também, mas sempre desconversava e alegava que "não tinha tempo para ler Roustaing".

Chico Xavier adaptou o roustanguismo ao contexto brasileiro, tirando o que havia de mais polêmico em Os Quatro Evangelhos, substituindo os "criptógamos carnudos" - o castigo roustanguista de espíritos endurecidos reencarnando como vermes - pelos "bichinhos do além", a controversa (e negada por Allan Kardec) tese da presença de animais domésticos e aves no mundo espiritual.

No entanto, como no Brasil existe um hábito muito "tradicional" chamado malandragem - popularmente conhecido como "jeitinho brasileiro" - , Chico Xavier participou de toda uma série de deturpações e dissimulações ocorridas no âmbito do "movimento espírita".

Ele adaptou o roustanguismo para os padrões de aceitabilidade pelo público brasileiro, mas também tentou dar a falsa impressão de fidelidade a Allan Kardec, esse estranho que os "espíritas" desconhecem completamente. Chico Xavier esteve associado a fraudes, mistificações e mitificações que transformaram o "espiritismo" brasileiro num engodo doutrinário e ritualístico.

Chico Xavier cometeu erros e, com muito gosto, apoiou e estimulou os erros de seus pares. E aí é que entra o aspecto surreal, como se o anti-médium mineiro fosse um personagem das obras do escritor tcheco Franz Kafka.

O anti-médium mineiro, aliás, é o avesso do personagem Josef K., do livro O Processo. Enquanto o personagem kafkiano era condenado por um crime que não cometeu, sendo chamado a depor sobre aquilo que ele nem tinha ideia se fez ou não, Chico Xavier é inocentado até mesmo dos piores erros nos quais teve responsabilidade, mesmo como cúmplice ou co-autor.

É sabido que Chico Xavier assinou atestados com a intenção de legitimar processos claramente fraudulentos de materialização, em que modelos humanos ou objetos (como almofadas) eram cobertos de vestes brancas, sobre as quais eram colados retratos de pessoas falecidas recortados de revistas ou álbuns de famílias.

Ele também está ligado a plágios e pastiches literários que creditava como "mediúnicos", como no livro Parnaso de Além-Túmulo e nas obras atribuídas ao espírito Humberto de Campos, nas quais são observadas contradições aberrantes em relação às obras que os autores falecidos deixaram em vida.

No entanto, Chico Xavier é tido como "inocente" de todos os seus erros, já que seus seguidores estão apegados e obsediados com seu estereótipo de "caipira bondoso" e, mais tarde, no de "bom velhinho humilde". Presos a essa imagem material, os chiquistas constroem seu fanatismo atribuindo a ele estereótipos de "amor e bondade" dos quais se revoltam diante do menor questionamento.

Sim, os chiquistas reagem com ódio quando se questionam os erros de Chico Xavier. Como é que essas pessoas que se dizem dotada de "amor infinito" e "perdão incondicional" reagem com muito ódio e rancor não dá para entender. Para eles, Chico Xavier é inocentado até quando as acusações de erro são farta e cuidadosamente comprovadas.

"Paixão dos homens", "perversão dos juízes", dizem os chiquistas, levianamente. Para eles, a realidade e a lógica não importam. Raciocinar lhes é o pior dos pecados relativos ao homem. Antes o ser humano desperdiçasse sua capacidade de raciocinar e ficasse acreditando cegamente em Chico Xaver e vivesse a vida toda orando em silêncio e sendo escravo de outrem mais prepotente.

Nem a ciência pode desafiar Chico Xavier. Ele é visto como "acima de todos os erros". Talvez Josef K. pudesse pagar pelos erros de Chico Xavier, o "bom velhinho" que alegra os infantilizados "espíritas" brasileiros.

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