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"Espíritas" disfarçam Teologia do Sofrimento com apelos para "felicidade"

A grande revelação que se tem do "movimento espírita", e que nunca foi declarada oficialmente pelos seus membros e seguidores, é que a doutrina brasileira, na prática distante de seu aparente precursor, Allan Kardec, tem como um dos princípios a Teologia do Sofrimento.

A Teologia do Sofrimento é uma ideologia medieval popularizada desde o século XIX por Teresa de Lisieux, Mas foi no século seguinte que ela se tornou mais conhecida através de Madre Teresa de Calcutá.

A ideologia é, portanto, associada à Igreja Católica e tem inspiração medieval. Ela se fundamenta na interpretação, com o moralismo típico da Idade Média, de que o martírio de Jesus Cristo teria sido um "fato positivo" porque foi a partir dele que o condenado à cruz atingiu sua "evolução" e estabeleceu o "caminho para a salvação".

Era esta a ideia: defender o sofrimento e a ideia de suportar, por tempo indeterminado, as piores desgraças com a finalidade de "purificar a alma" e "obter a salvação". Quanto pior o sofrimento, maiores as chances da pessoa receber as "bênçãos futuras". É a salvação pelo holocausto.

Isso é uma distorção da ideia de que desilusões e desafios, quando em doses moderadas, possam ensinar as pessoas a se evoluírem, a se superarem. Afinal, a Teologia do Sofrimento confunde desgraça como desafio, e é um "remédio" tomado acima da dose, causando efeitos colaterais e muitos malefícios.

Afinal, o sofrimento acima da dose, através de dificuldades cuja superação se aproxima do impossível, a pessoa que poderia desenvolver e trabalhar qualidades positivas acaba contraindo qualidades negativas que variam entre a preguiça, o cinismo, a desonestidade, a antipatia, a discriminação social e até mesmo a violência.

O que choca os "espíritas" é ver que a Teologia do Sofrimento tem seu representante em sua doutrina. É o próprio Francisco Cândido Xavier. Isso mesmo, o festejado e cultuado Chico Xavier foi um dos maiores defensores, até dos mais entusiasmados - compete com Madre Teresa de Calcutá, que, se existisse de fato o conceito de "almas gêmeas" (refutado por Kardec), ela seria "alma gêmea" do anti-médium brasileiro - , e isso se observa em várias de suas frases.

Sim, muita gente fica apavorada, chocada, ao saber que Chico Xavier era defensor da Teologia do Sofrimento. Chico Xavier é, para muitos, como um personagem de contos-de-fadas, em que só pode estar associada a ideias agradáveis, por mais ilógicas e absurdas que pareçam. Ver Chico Xavier como um defensor da ideia do sofrimento como "dádiva de Deus" incomoda muitos de seus seguidores.

Aí eles esperneiam, protestam, dizem que isso é "ofensa a um homem de bem", falam em "intolerância religiosa", "falta de perdão", "perseguição contra a fé", e tantas acusações neuróticas. É surpreendente que, tão tidos como de "energias elevadas", os seguidores de Chico Xavier se transformem em verdadeiras bestas-feras quando seu ídolo é contestado em um único ponto.

Acham que Chico Xavier nunca iria defender a Teologia do Sofrimento, que sua "filosofia" (sic) é "transformadora", que ele "sempre defendeu o progresso humano" e por isso era "ativista" e "progressista" em suas ideias. Acham que Chico Xavier nunca iria dizer uma frase de apologia ao sofrimento, mas disse, como podemos conferir:

"Precisamos aprender a sofrer sem mostrar sofrimento, atravessar dificuldade sem passar na pauta dos outros... Estamos matriculados na prova; vamos ver qual será a nota".

Sabe o que isso quer dizer? Se você é um sofredor e encara as piores desgraças, fique quieto. Não reclame, não questione, não conteste. Não mostre seu sofrimento para os outros e finja que está feliz. Faça de conta que está tudo bem, enquanto você se dá muito mal na vida. 

Se algo lhe dói, não se atreva sequer a gemer. Não grite de dor, sorria e dê um sussurro de gratidão. Ore em silêncio (Chico Xavier tanto defendia essa palavra) para não perturbar o sossego de seus algozes. Aguente todo tipo de desgraça por tempo indeterminado, para depois no final da vida se preparar para as "bênçãos da vida futura" ("vida eterna" para os católicos), ou seja, você praticamente só verá a melhoria de vida... depois de morrer.

Em resumo: Chico Xavier queria que você fosse masoquista. Sim. Isso mesmo. Masoquista, o cara que está feliz porque sofre, sente alegria com a própria dor. E aí Chico Xavier afirma que "tudo passa" e você só será beneficiado postumamente, jogando uma encarnação inteira no lixo por não ter podido aproveitar adequadamente suas qualidades potenciais por causa de tantos infortúnios.

E o que os "espíritas" de hoje fazem para camuflar a Teologia do Sofrimento que nunca assumiram no discurso? Despejam mensagens e mensagens de "paz", "felicidade", "bem estar", "qualidade de vida" e tudo o mais. Os palestrantes não cansam de dizer que "não nascemos para sofrer". Ilustrações de pessoas felizes olhando para o céu são divulgadas, e sempre existe um "cavaleiro da esperança" pronto para divulgar o seu "bom espiritismo".

Mas os pontos sombrios do "espiritismo" brasileiro se observam quando há eventuais juízos de valor diante da desgraça alheia. Fulano sofre demais porque "fez por merecer", porque foi alguma pessoa cruel nos tempos do Império Romano, em outra encarnação. E aí os "bondosos espíritas" recomendam para a pessoa "mudar os pensamentos", "reavaliar sua vida" etc.

Por exemplo, se fulano deseja ter uma namorada com o nível de personalidade de Natalie Portman, ele tem que rever seus valores e aceitar a "periguete" que surge no seu caminho. Como os "espíritas" veem a vida como algo qualquer nota, tanto faz "ensinar coisas legais" a uma "periguete" que mal consegue entender ela mesma, imagine o meio em que ela vive.

Se fulano quer ser um servidor cultural, trabalhar numa instituição para realizar seus projetos e ideias sobre a memória cultural de um país, e ele é impedido de toda forma de trabalhar essa profissão, tanto faz para os "espíritas" se a alternativa profissional para ele é ser repórter de uma rádio corrupta que, pela mediocridade de seu dono, é um dos poucos lugares que aceitam pessoas diferenciadas para trabalhar, até para a promoção pessoal do proprietário canastrão.

O "espiritismo" disfarça a Teologia do Sofrimento com todo um discurso "aconchegante": "tenha esperança", "não se desespere", "ninguém nasceu para sofrer", "seja feliz e aproveite hoje a vida" (como, se não dá para aproveitar o que as barreiras da vida impedem?), enquanto pedem para o desgraçado "mudar os pensamentos", como se fosse fácil abrir mão de desejos, vontades e, sobretudo, necessidades, ou até mesmo a disposição de encarar desafios.

E para agravar a contradição, há a questão do status quo. Os palestrantes "espíritas" dizem para as pessoas "não sofrerem" e "buscarem a felicidade". Mas Chico Xavier pedia para os sofredores aguentarem as desgraças em silêncio, sem reclamar, aceitando os infortúnios e fazendo uma oração sem palavras. 

Como Chico Xavier, no "movimento espírita", goza da mais alta reputação, considerado "mestre" para seus seguidores, é ele que fica com a palavra final, ele que é um quase Deus entre seus seguidores. O que significa que o princípio do "espiritismo" é mesmo a Teologia do Sofrimento. Doa  quem doer. De preferência, sem gemer sequer.

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