Pular para o conteúdo principal

Espiritismo Ateu ou Ateísmo Espírita: uma realidade

Muita gente estranha esta ideia de ateísmo espírita porque se acostumaram a associar a imaterialidade a religiosidade. Talvez por acreditarem que os espíritos sejam divindades, o que justifica o teor igrejista das mensagens supostamente psicografadas. 

O "Espiritismo" brasileiro, uma colcha de retalhos construída sobre uma base católica, sempre passou a ideia de que era uma seita religiosa, com direito a divindades encarnadas (??!!!) personificadas pelas suas lideranças, além das desencarnadas, representadas por aqueles que são chamados de "espíritos superiores".

As obras de Kardec desmontam este igrejismo que no fundo não passa e uma revisão do Catolicismo em que se reconhece a possibilidade de reencarnações e a comunicação com os mortos. Espíritos e reencarnações são fatos passíveis de serem estudados pela ciência, mas não da forma que é feito no "Espiritismo" brasileiro, irracional na prática e que só usa a ciência e a suposta "fé raciocinada" (como eles chamam a sua fé cega) para autenticar os absurdos em que acreditam.

Raciocinando profundamente não com a "fé", mas com a razão, a gente percebe que não existe divindades e que a existência de uma vida em outra dimensão, em outros estados da matéria e da não-matéria não depende de um deus, uma divindade ou de uma individualidade.

Os espíritos haviam dado uma pista de que o ateísmo espírita é uma realidade quando responderam a sensata pergunta de Allan Kardec, "o QUE é Deus". A resposta foi anda mais sábia:

- "Inteligência suprema, causa primária de todas as coisas".

Onde é que está escrito nesta frase que existe uma pessoa, uma individualidade ou um ser que vive de nos dar ordens e quer que sejamos seu escravos? A frase é bem clara em afirmar que o que conhecemos como "Deus" não e uma individualidade e sim um conjunto de fatores. A palavra "causa" foi muito bem utilizada, além do conectivo "que", propondo que "Deus" seja na verdade a execução do sistema de leis da natureza, algo que nunca será descoberto pelas religiões (sempre especulativas) e sim pelas ciências, sobretudo a física, a astronomia, a química e a biologia.

O que o Divaldo Franco disse recentemente que "Deus" era "um ser humano do sexo masculino" e que isso estaria "perfeitamente certo" é um engodo igrejista, uma importação católica. A ciência vai contra isso, pois se formos a fundo na lógica comprovaremos a impossibilidade desta definição. Mas como Divaldo é um deturpador, e um dos responsáveis da que podemos chamar de Igreja Espírita (algo totalmente anti-kardeciano), não devemos levar a sério a sua declaração feita, não por coincidência, quando ele foi conversar com o Papa Francisco, maior liderança do Catolicismo. 

O Espiritismo surgiu para ser uma ciência. Os estados diferentes da matéria, a não-matéria e os seres que habitam nestas dimensões mereciam uma disciplina que os estudasse. Mas desde as deturpações do filósofo de formação católica Jean Baptiste Roustaing, passando por todos os equívocos praticados pelo "Espiritismo" brasileiro, a racionalidade científica da doutrina foi totalmente descartada, substituída por uma seita desonesta que usa a fé cega para satisfazer o interesse de suas lideranças supostamente "divinas".

Está mais do que na hora de aniquilarmos todos esses erros e mitos (incluindo lideranças "respeitáveis"), que de maneira irresponsável vem brincando com a espiritualidade sem o menor conhecimento, gerando muita incompreensão e danos e impedindo a evolução espiritual da humanidade.

O ateísmo espírita chega para devolver o interesse científico à doutrina, estimulando o questionamento, a análise e a pesquisa, eliminando a preguiça intelectual que faz com que seus seguidores aceitem qualquer bobagem com verdade absoluta, construindo suas vidas sobre essa areia movediça da fé "raciocinada" sem raciocínio.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Tudo para os ricos, nada para os pobres!

A guinada direitista do "Espiritismo" brasileiro, supostamente "orientada" pela "espiritualidade superior" (na verdade espíritos de velhos e odiosos macartistas disfarçados de "sábios") tirou definitivamente a sua mascara de "doutrina avançada". 
Incapaz de melhorar o país em mais de 130 anos, se limitando a caridade paliativa que não elimina problemas, mas cria meios de suportá-lo, o "Espiritismo" brasileiro agora abraça um governo golpista e ideias retrógradas que pretendem reservar o bem estar a uns poucos que compartilham de ideais retrógrados e meios suspeitos de vencer na vida.
O "Espiritismo" brasileiro, totalmente distante e em muitos pontos contrário ao Espiritismo original fundado por Allan Kardec, sempre foi uma seita de elite com um número grande de seguidores de alto poder aquisitivo e graduados em faculdades. O que não significa que sejam mais inteligentes, pois o "Espiritismo" brasileiro ag…

Anti-esquerdismo "espírita" vai contra proposta da caridade

O "Espiritismo" brasileiro é cheio de contradições, graças a sua recusa em raciocinar e analisar tudo que chega aos seu redor. Abraçou a fé cega e a bondade estereotipada e se limita a fazer caridade paliativa, aquela que serve de mera compensação para que os necessitados se mantenham em suas condições humilhantes. 
Agora, os "espíritas" (de Chico Xavier) e os espíritas (de Allan Kardec) encanaram de aderir ao sádico ódio fascista anti-esquerda. Criminalizaram os movimentos sociais, a personalidades de esquerda e glorificaram o excludente Capitalismo, se baseando na tolice da meritocracia e descartando de uma vez por todas a acridade mencionada por Allan Kardec, um socialista, em suas obras.
Só o direitismo assumido pelo "Espiritismo" brasileiro jé envolve um festival de contradições que poderão implodir a doutrina no Brasil, que já é muito fraca em outros países. Ela entra em violento choque com a finalidade original da doutrina, que é a caridade, além …

O juízo de valor que derrubou Divaldo Franco e Chico Xavier

"Não julgueis para não serdes julgados", dizia o ensinamento de Jesus. Pegando carona, o anti-médium mineiro Francisco Cândido Xavier criou um arremedo da mesma ideia: "Não julgueis quem quer que fosse". Mas desobedeceu o que ele mesmo disse.

Em 1966, o pior julgamento de valor que se pode dar contra multidões humildes foi dado por Chico Xavier. No livro Cartas e Crônicas, Xavier acusou de terem sido "romanos sanguinários" os pobres cidadãos que, de várias partes do Grande Rio, foram assistir alegremente um espetáculo circense em Niterói, em dezembro de 1961, e foram vítimas de um incêndio criminoso.
O agravante da infundada acusação - feita sem provas documentais, de maneira generalizada, sem estudo da Ciência Espírita e preocupada com suposta encarnação longínqua e superada - é que Chico Xavier, para se livrar de culpa, botou a responsabilidade no pretenso autor espiritual, Humberto de Campos, muito mal disfarçado pelo codinome Irmão X.
Só neste episód…