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Espíritas e "Espíritas" progressistas contestam conservadorismo de Divaldo Franco

Um manifesto, que reproduziremos abaixo, escrito por espíritas e "espíritas" (entre aspas pois o "Espiritismo" brasileiro difere do original kardeciano) que seguem orientação política de esquerda, contesta as declarações de Divaldo Franco mostradas em uma entrevista, também reproduzida aqui e que também aparecem em inúmeras declarações e palestras recentes do suposto médium.

Mas é bom lembrar que o conservadorismo de Divaldo é coerente com toda a doutrina praticada no Brasil, entusiasta de pontos estranhos como a Teologia do Sofrimento, o sistema recompensa/punição e a criminalização do suicídio e do aborto, entre outros pontos estranhos a doutrina original.

Leiam o manifesto, que deve ser entendido com ressalvas, lembrando que se trata de um gripo que inclui também seguidores da versão deturpada, cheia de pontos conservadores e despida da racionalidade do Espiritismo original, infelizmente ainda totalmente desconhecido dos brasileiros.

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Espíritas progressistas respondem à entrevista coletiva de Divaldo Franco e Haroldo Dutra no congresso de Goiás



Nota de resposta à entrevista coletiva de Divaldo Franco e Haroldo Dutra no congresso de Goiás



Espíritas que somos, os abaixo-assinados, tornamos pública a nossa desaprovação a diversas opiniões que foram expostas no vídeo que circulou essa semana nas redes sociais, e que depois foi retirado do Youtube.



Declaramos que elas não nos representam e não representam o espiritismo, pois são apenas opiniões pessoais de seus autores, e que, em nosso entender, carecem de fundamento teórico e científico.



Aliás, médiuns e oradores não têm autoridade para falar em nome do espiritismo.

Ninguém tem essa autoridade, nem mesmo instituições federativas.


O espiritismo é uma ideia livre, cuja maior referência é Kardec

Mas cujos livros também não podem ser citados como bíblia.


Para manifestarmos ideias e posições do ponto de vista espírita, segundo a própria metodologia proposta por Kardec, temos de dialogar com a ciência de nosso tempo, usar argumentos racionais e adotar de preferência posturas que estejam de acordo com os princípios básicos da ética espírita, que são os da liberdade de consciência, amor ao próximo, fraternidade, entre outros.



O movimento espírita brasileiro está longe da unanimidade em todos os temas, sobretudo os que se referem a questões contemporâneas e, por isso, é importante delimitar as posições, para deixarmos claro que declarações como as que foram feitas neste vídeo não representam o espiritismo.



Dessa forma, rebatemos alguns pontos da referida entrevista:



Divaldo referiu-se à República de Curitiba e a seu suposto “presidente”, Sérgio Moro. Não existe uma República de Curitiba, pois segundo nossa Constituição só há uma República a ser reconhecida em nosso território, e é a República Federativa do Brasil.



E a referência a um juiz federal de primeiro grau como o Presidente desta acintosa República é um grave desrespeito ao Estado, à nação brasileira, atribuindo a tal república poderes inexistentes em nossa Constituição.



Além dessa nociva postura marcadamente messiânica e de culto à personalidade, pode dar a entender que o restante do povo brasileiro não presta e que não há pessoas boas espalhadas pelo Brasil dando o melhor de si.



Divaldo chama esse mesmo juiz de “venerando” – o que é altamente questionável, dadas as críticas de grandes juristas nacionais e internacionais à parcialidade desse juiz e a seus atos de ilegalidade, que feriram a Constituição, e às notícias que correm na mídia de seu conluio com determinados segmentos e partidos.



Divaldo assume uma postura claramente partidária, contrária ao PT – o que é de seu pleno direito, mas nunca em nome do espiritismo – fazendo, porém, uma crítica rasa, com uma miscelânea conceitual, chamando o governo desse partido de marxista e assumindo um discurso próprio da polarização extremista, manipulada e sem consistência que invade nossas redes sociais e nossa vida política, contribuindo para os momentos de incertezas e de medos em que vivemos.



Há uma fala extremamente problemática que se refere à chamada “ideologia de gênero”. Não existe “ideologia de gênero” – este é um termo criado por setores fundamentalistas da Igreja Católica e depois adotado pelas Igrejas Evangélicas. Existe sim uma área de pesquisa no mundo que se chama “Estudos de Gênero” – que teve influência de Michel Foucault, Simone de Beauvoir e Judith Buttler. Os “Estudos de Gênero” se dedicam a procurar entender como se constitui a feminilidade e a masculinidade do ponto de vista social, se debruçam sobre questões de orientação sexual, hétero, homo, transsexualidade – ou seja, todos fenômenos humanos, que estão diariamente diante de nossos olhos. Podemos concordar com algumas dessas conclusões, discordar de outras, deixar em suspenso outras tantas. Esse olhar é muito recente na história e ainda estamos apalpando questões profundas e complexas – e em nosso ponto de vista espírita, não é possível ter plena compreensão delas sem a chave da reencarnação. Uma abordagem puramente materialista jamais vai dar conta do pleno entendimento do psiquismo humano. Mas estamos muito longe de ter gente reencarnacionista competente, fazendo pesquisa séria, para dialogar com pesquisadores com abordagens meramente sociológicas ou psicológicas. Então, nós espíritas, não temos ainda melhores respostas que os outros e não podemos, por cautela, seguir a cartilha dos setores conservadores mais radicais de generalizar esses estudos sob o termo, usado aqui pejorativamente, de ideologia, para desqualificá-los como “imoralidade ímpar”. Parece-nos que uma dose de humildade científica, prudência filosófica e bom-senso faria bem a todos nesse ponto, especialmente quando o domínio sobre os corpos e a sexualidade sempre foi um ponto central para as religiões ocidentais.



Divaldo revela também completo desconhecimento dessa área de estudos de gênero, alinhando-a ao marxismo e ao comunismo. As grandes lideranças desses estudos estão nos Estados Unidos e na Europa. Aliás, os estudiosos desse tema encontram-se em diversas correntes de pensamento, desde marxistas até pós-modernos de diferentes matizes e até liberais. Ao fazer isso, mais uma vez, mostra a adesão a um discurso pronto, midiático, que ressoa nos setores evangélicos e católicos mais radicais, que primam por taxar qualquer ideia ou debate que lhes desagrade com o termo “comunista” – um grande espantalho generalizante, simplista e esvaziado de sentido, mas que tem sido eficaz, ao longo dos tempos, para dar forma a medos sociais e, assim, orientar o ódio e o ressentimento das pessoas contra certos alvos.



Por fim, deixamos aqui as seguintes afirmações:



Nenhum médium ou orador pode falar em nome de todos os espíritas ou em nome do espiritismo. Isso é, por si só, desonestidade intelectual;



Quando um espírita, sobretudo se tem influência sobre a comunidade, manifesta uma ideia ou uma opinião, tem por dever se informar sobre os temas de que está falando, usar referências confiáveis e estar em consonância com a lógica, com a ciência e com o bom senso.



Deve também, preferencialmente, defender os direitos dos mais fragilizados socialmente, no caso, as mulheres, as crianças, os membros da comunidade LGBT+, que são objeto dessas discussões dos estudos de gênero, justamente por estarem vulneráveis a todo tipo de violência e desrespeito em nossa sociedade, além dos negros e negras, as juventudes periféricas e as pessoas com deficiência.



Não deve alimentar discursos de ódio partidário e nem medidas punitivas contra quem quer que seja: nossa bandeira é a da educação, da fraternidade entre todos e da paz, comprometidos com a democracia, a justiça social e a regeneração da sociedade.

Abaixo Assinaram:
Adriana Jaeger Santos, RS


Agnes Vitória Cabral Rezende, MT



Alana de Andrade Santana, BA



Alessandro Augusto Arruda Basso, SP



Alessandro Cesar Bigheto, SP



Alexandre Mota, SP



Alexandro Chazan, SP



Álvaro Aleixo Martins Capute, MG



Carlos Augusto Pegurski, PR



Carlos Sérgio da Silva, SP



Claudia Gelernter, SP



Claudia Mota, SP



Cynthia Maria Fiorini Santos, SP



Dalva de Souza Franco, SP



Dalva Radeschi, SP



Dennylson de Lima Sepulvida, SP



Dora Incontri, SP



Douglas Neman, SP



Eduardo Alves de Oliveira, SP



Eduardo Lima, CE



Erica de Oliveira, SP



Felipe Gonçalves, SP



Felipe Sellin, ES



Fernando Fernandes, SP



Franklin Felix, SP



Gilmar da Cunha Trivelatto, SP



Glauco Ribeiro de Souza, SP



Hélio Ribeiro, MG



Izaias Lobo Lannes, MG



João Carlos de Freitas, SP



Jandyra Abranches, ES



Juçara Silva Volpato, ES



Leandro Piazzon Correa, SP



Litza Amorim, SP



Lorisani Marisa de Leão de Souza, RS



Luciano Sérgio Ventin Bomfim, BA



Luis Gustavo Carvalho Ruivo Andrade, SP



Luis Márcio Arnaut, SP



Luziete Maria da Silva del Poggetto, SP



Marcel Pordeus, CE



Marcelo Henrique Pereira, SC



Marcos Wilian Silva MT



Maristela Viana França de Andrade de Aragarças GO



Maristela Viana França de Andrade, GO



Maurício Zanolini, SP



Murilo Negreiros, SP



Patrícia Imperato Malite, SP



Pedro Camilo, BA



Raphael Faé, ES



Roberto Colombo, SP



Samantha Lodi, SP



Sebastião do Aragão, SC



Sérgio Aleixo, RJ



Silvia Bueno, SP



Sinuê Neckel Miguel, RS



Suzana Leão, RS



Tatiane Braz Comitre Basso, SP



Thiago Rosa, SP



Tiago Fernandes, PR



Vinicius Lara, MG



Willan Silva, ES



Yuri David Esteves, SP


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