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O palestrante "espírita"

O palestrante "espírita"... Esse artífice das belas palavras, esse malabarista das "mensagens positivas", capaz de defender o sofrimento humano criando todo um discurso que tenta negar tal intenção, sempre preocupado em forjar bons sentimentos e boas palavras, visando os prêmios que acredita lhe estarem reservados no além.

As pessoas que sofrem são obrigadas a virar marionetes das circunstâncias adversas, se desiludindo à toa, porque, num dia, a pessoa sofre as mais duras desilusões, na outra, a pessoa se torna escrava das ilusões de alguém pior que ela. Mas isso não sensibiliza o palestrante "espírita", que sempre se acha senhor da melhor palavra e juiz da vontade humana.

Ele se orgulha por achar que sabe os desejos dos outros, mais do que eles mesmos. Faz juízos de valor aqui e ali, de forma a tentar convencer a pessoa de que as circunstâncias que as afligem devam ser superadas, sob a desculpa do aprendizado. Muito fácil, num espetáculo de palavras bonitas, dizer o que quer sobre o outro, o palestrante "espírita" impondo seu ponto de vista sob a desculpa de que ele é detentor de "sabedoria" e se supõe mais próximo dos "planos elevados da espiritualidade".

Ah, quanta e quanta ilusão!! O palestrante "espírita", com seu balé de palavras belas, com suas coreografias textuais em palestras, livros, seminários e congressos, não obstante cortejado pelas elites, atraindo para si as fortunas da Terra e ansioso por conquistar em breve os tesouros do céu.

Não sabe ele que ele é o mais ordinário dos ordinários. O palestrante "espírita" se acha saber a vontade do outro, fazendo juízo do valor diante do sofrimento alheio, como um tirano romano cujo diferencial é apenas o simulacro de bons sentimentos, a fala macia, a palavra bonita, que dá a ele a ilusão de que ele está consolando as pessoas, com sua pretensa mensagem de esperança.

Mal sabe ele quantos suicidas podem ter surgido diante de seus apelos para não se suicidar. Quanto mal estar ele causou com seus apelos para o sofredor abrir mão de seus desejos. Quanto desespero ele trouxe quando falou que a desgraça é um aprendizado? Que veneno não significa suas doces palavras, como mancenilheiras verbais armadas de um monte de letras. números e sinais de pontuação?

Para o palestrante "espírita" pouco importa se o sofredor leve uma ou duas encarnações para realizar seus projetos de vida. A certeza da vida futura e da reencarnação servem de desculpa para defender o sofrimento alheio, como se fosse fácil deixar de fazer uma coisa hoje e voltar a fazê-la daqui a cem anos. Muita coisa muda nesse tempo todo, quase inviabilizando um projeto de vida tal como inicialmente se traçou.

Mas, enquanto o palestrante "espírita" pouco se importa se o sofredor só vai realizar seus projetos de vida daqui a um século, ele se apressa para reduzir o número de reencarnações possível para obter o ingresso ao "reino dos puros". Ele faz todo um simulacro de bons sentimentos, todo um jogo de cena de emoções puras, aparentes calma e misericórdia, forjando um ar de simpatia permanente, sempre produzindo textos com palavrinhas bonitinhas e recados de suposta consolação e esperança.

Ah, mas quantos beiços machucados pelas mordidas de raiva foram dados no íntimo do palestrante. Quantas raivas pelo questionamento alheio. Mas até tudo isso é dissimulado por orações, recuperando a doce ilusão da "pureza espiritual", esse arremedo feito na Terra, mas que garante, aos nossos olhos, a suposta entrada no céu dos ídolos "espíritas".

Essa ilusão de "pureza" encanta a muitos na face da Terra. Presume o paraíso conquistado pelos palestrantes "espíritas". As paixões religiosas, orgias sem sexo nem dinheiro, mas com outras luxúrias marcadas pela fé e pelo divinismo, garantem a enganosa ideia de que os ídolos da fé possam ir ao céu, e se tem até estórias prontas para narrar a chegada de cada ídolo ao Paraíso, que no "outro lado" se revelará uma fantasia nunca realizada. A fé também traz ilusões e gozos levianos.

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