Pular para o conteúdo principal

Apego à supremacia do status quo está destruindo o Brasil

A sociedade brasileira está indo para um caminho muito perigoso. Apegada a paradigmas de alto status social, as pessoas são lesadas e enganadas diariamente, movidas por ilusões que a valorização cega de pessoas com algum atributo superior lhes trazem.

Desde que Dilma Rousseff foi expulsa do poder, as pessoas revelaram tais caprichos. Passaram a endeusar pessoas com algum atributo "respeitável", sem saber dos desastres que cometem, pois se tratam apenas de atributos materiais, obtidos nem sempre de maneira honesta e que servem apenas de escudo para os privilegiados cometerem seus abusos.

Do juiz Sérgio Moro, endeusado pelo atributo do status jurídico, a Luciano Huck, que domina a visibilidade plena na mídia, outros "deuses" da Terra são criados, por supostas virtudes técnicas ou qualidades equiparadas. Como Jaime Lerner e Henrique Meirelles, só para citar dois festejados tecnocratas, que muitos veem ingenuamente como "símbolos máximos de competência e funcionalidade".

Na religião, o que se vê também é esse apego. A ilusão de atribuir superioridade a uma parcela de homens e mulheres que parecem ter a chave do Céu, como se estivessem pagando o passaporte para a moradia definitiva ao lado de Deus, permite o endeusamento cego desses indivíduos.

No "espiritismo", o exemplo de Francisco Cândido Xavier é notório, ele que se tornou o exemplo máximo de impunidade e total complacência, protegido por um status religioso que esconde os aspectos preocupantemente sombrios. Não foi por falta de aviso que o Brasil se rendeu ao farsante Chico Xavier: ele personifica com rigorosa exatidão o "inimigo interno do Espiritismo" descrito minuciosamente por Allan Kardec e por mensageiros espirituais como Erasto.

Só o que Chico Xavier fez com Humberto de Campos, na verdade uma revanche contra uma crítica irônica que o autor maranhense escreveu sobre Parnaso de Além-Túmulo, desmereceria toda a reputação que o suposto médium recebeu ao longo dos anos.

Chico usurpou o nome de Humberto de Campos (poderia ter escolhido Machado de Assis, mas aí facilitaria despertar desconfianças), atribuindo a ele um estilo de "escritor espiritual" que claramente contrastava com o que o autor maranhense escreveu em vida, e foi beneficiado pela incompreensão de pessoas do Direito cujo trato com a lógica e bom senso é muito deficitário (isso ocorre até hoje, vide Sérgio Moro, Gilmar Mendes, Rodrigo Janot e Carmem Lúcia).

O empate jurídico no processo judicial do caso Humberto de Campos, em 1944, garantiu a Chico Xavier a impunidade necessária para seu mito deslanchar. Ele se envolveu com pastiches literários, plágios eventuais em livros, fraudes em materialização nas quais assinava atestados, e no caso de Humberto criou um pseudônimo que dissimulava a usurpação através do codinome Irmão X, paródia de Conselheiro XX (embora seja um "irmão xis" diante do "conselheiro vinte").

A usurpação chegou ao ponto de Chico Xavier seduzir os herdeiros de Humberto, explorando a saudade da mãe, Ana de Campos Veras, pelo filho morto, e as cartas em linguagem paternal que Chico escrevia se passando pelo espírito de Humberto, dirigidas ao homônimo filho, produtor de TV e cético em relação às "psicografias" que levavam o nome do pai, como o patético livro Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, no qual se identificou até um plágio copiado de um livro cômico (!), O Brasil Anedótico, que Humberto lançou em vida em 1927.

Chico Xavier ainda seduziu Humberto de Campos Filho mostrando atividades de "caridade paliativa", num "centro espírita" em Uberaba, em 1957. Mulheres cozinhando sopas, velhinho doente de comportamento infantilizado. Temos que contestar esse padrão de "bondade" que é a "caridade paliativa", porque ela é feita mais para impressionar as pessoas do que ajudar os necessitados e, no fundo, ajuda muito, muito pouco.

O status quo religioso é ainda o mais perigoso, e o que observamos é que as pessoas, apegadas ao culto àqueles dotados de atribuições "superiores", passaram a sentir complacência ao erro. São erros graves que vemos em juristas, políticos, economistas, ídolos da TV, ídolos religiosos, entre outros, e as pessoas nem se preocupam.

Criou-se até uma malandragem que é o bordão "quem nunca erra?", uma desculpa esfarrapada para permitir que os privilegiados cometam erros graves e saiam imunes desta. É como se um vitorioso se revelasse um trapaceiro e este fizesse um jogo de cena para não perder seu prêmio e pedir para a torcida que lhe apoiasse.

Isso está destruindo o Brasil, entregando o país a uma situação de muitos retrocessos sociais, ameaçando a Constituição Federal, a qualidade de vida das populações, a segurança jurídica e institucional. Tudo isso está ameaçado e o Brasil está perdendo suas qualidades, sua riqueza, seus patrimônios, entregando seus bens naturais para estrangeiros, enquanto a política demonstra casos de corrupção muito mais graves do que aqueles a que se atribui oficialmente ao PT.

O Brasil está em perigo e as pessoas ainda estão felizes, achando que vivem no paraíso. Vemos uma mídia como a Rede Globo cujos donos são sonegadores de impostos e donos de fortunas exorbitantes e ninguém se incomoda com isso. Para um país que transformou um católico plagiador de livros em "ícone máximo do Espiritismo", tratado como um semi-deus, qualquer absurdo é possível. Que ninguém depois reclame quando o Brasil cair em ruínas após tantas convulsões sociais.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Tudo para os ricos, nada para os pobres!

A guinada direitista do "Espiritismo" brasileiro, supostamente "orientada" pela "espiritualidade superior" (na verdade espíritos de velhos e odiosos macartistas disfarçados de "sábios") tirou definitivamente a sua mascara de "doutrina avançada". 
Incapaz de melhorar o país em mais de 130 anos, se limitando a caridade paliativa que não elimina problemas, mas cria meios de suportá-lo, o "Espiritismo" brasileiro agora abraça um governo golpista e ideias retrógradas que pretendem reservar o bem estar a uns poucos que compartilham de ideais retrógrados e meios suspeitos de vencer na vida.
O "Espiritismo" brasileiro, totalmente distante e em muitos pontos contrário ao Espiritismo original fundado por Allan Kardec, sempre foi uma seita de elite com um número grande de seguidores de alto poder aquisitivo e graduados em faculdades. O que não significa que sejam mais inteligentes, pois o "Espiritismo" brasileiro ag…

Anti-esquerdismo "espírita" vai contra proposta da caridade

O "Espiritismo" brasileiro é cheio de contradições, graças a sua recusa em raciocinar e analisar tudo que chega aos seu redor. Abraçou a fé cega e a bondade estereotipada e se limita a fazer caridade paliativa, aquela que serve de mera compensação para que os necessitados se mantenham em suas condições humilhantes. 
Agora, os "espíritas" (de Chico Xavier) e os espíritas (de Allan Kardec) encanaram de aderir ao sádico ódio fascista anti-esquerda. Criminalizaram os movimentos sociais, a personalidades de esquerda e glorificaram o excludente Capitalismo, se baseando na tolice da meritocracia e descartando de uma vez por todas a acridade mencionada por Allan Kardec, um socialista, em suas obras.
Só o direitismo assumido pelo "Espiritismo" brasileiro jé envolve um festival de contradições que poderão implodir a doutrina no Brasil, que já é muito fraca em outros países. Ela entra em violento choque com a finalidade original da doutrina, que é a caridade, além …

O juízo de valor que derrubou Divaldo Franco e Chico Xavier

"Não julgueis para não serdes julgados", dizia o ensinamento de Jesus. Pegando carona, o anti-médium mineiro Francisco Cândido Xavier criou um arremedo da mesma ideia: "Não julgueis quem quer que fosse". Mas desobedeceu o que ele mesmo disse.

Em 1966, o pior julgamento de valor que se pode dar contra multidões humildes foi dado por Chico Xavier. No livro Cartas e Crônicas, Xavier acusou de terem sido "romanos sanguinários" os pobres cidadãos que, de várias partes do Grande Rio, foram assistir alegremente um espetáculo circense em Niterói, em dezembro de 1961, e foram vítimas de um incêndio criminoso.
O agravante da infundada acusação - feita sem provas documentais, de maneira generalizada, sem estudo da Ciência Espírita e preocupada com suposta encarnação longínqua e superada - é que Chico Xavier, para se livrar de culpa, botou a responsabilidade no pretenso autor espiritual, Humberto de Campos, muito mal disfarçado pelo codinome Irmão X.
Só neste episód…