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O preconceito dos empregadores e do Brasil em geral


O Brasil do "espiritismo" catolicizado é tomado de equívocos e preconceitos. As pessoas com maior status são as que mais se desiludem, cometem erros e equívocos e tem muita gente graúda que deveria voltar para a faculdade.

Temos um governo da República cheio de escândalos de corrupção. Temos um Judiciário que manipula as leis em causa própria (e a da chamada plutocracia). Mas se até na rotina familiar pais repreendem filhos pelos erros que os próprios pais poderiam cometer, então vemos que no Brasil as pessoas que estão no topo de qualquer hierarquia são as que mais devem rever seus valores.

É muito difícil as pessoas que atingiram o topo da pirâmide rever seus valores. Se incomodam quando são contrariadas, ou quando outros "de baixo" fazem alguma coisa estranha ou fora dos padrões. Também se incomodam quando são convidados a fazer alguma autocrítica e, quando assumem seus erros, parecem mais sentir orgulho deles do que vergonha, sob a desculpa de que "todo mundo erra", um papo que mais parece ser apologia do erro do que sua própria crítica.

No mercado de trabalho, que será atingido pelo Plano Temer, conhecido como "Ponte Para o Futuro", a situação já é degradante. Os empregadores tomados de muito preconceito e usando desculpas para não empregar pessoas fora dos "padrões normais" de emprego, mesmo com todo o politicamente correto das contratações de deficientes, de pessoas com mais de 40 anos ou de portadores da síndrome de Dawn, não conseguem resolver suas neuroses sociais.

Eles são os que mais têm medo de empregar alguém diferenciado e impõem restrições justamente a pessoas com muito potencial e talento. Se horrorizam com currículos aparentemente "vazios" de gente com pouca experiência que esconde muito talento e só não teve oportunidade.

Se assustam quando candidatos "sem experiência" têm mais de 40 anos, não possuem "aparência bonita" e, entre outras "debilidades", só conhecem o inglês básico e não possuem carteira de motorista.

Em compensação, gerações de pessoas sem talento, mas com boa aparência, um jeito extrovertido de envolver as pessoas e dotado de muito senso de humor, são contratadas sem hesitação, podendo a empresa estar na pindaíba.

Não percebem os empregadores, neste caso, que aqueles candidatos a emprego bonitões, esbeltos, com inglês fluente, cheios de lábia e com uma piada pronta para contar nos momentos de descontração, podem ser justamente aqueles que não desempenharão um bom trabalho, jogando conversa fora no momento inoportuno, fazendo assédio sexual a funcionárias atraentes e assédio moral a colegas "menos bonitos".

Há mais preconceito do que falta de dinheiro nos boicotes a novos empregados. Da mesma forma, o mercado habitacional bota muita gente para morar nas ruas pelos preços caros que partem não das necessidades de custos dos apartamentos, mas de frescuras elitistas dos empreiteiros e dos corretores de imóveis.

São frescuras que empurram muitos desabrigados a viverem na rua ou montarem casas em favelas, construções irregulares e inseguras que o esnobismo da intelectualidade cultural dominante defende como "bela paisagem", criando um ufanismo hipócrita, uma "patriotada dos morros" que, ancorada pelo "funk", garante a fortuna de gananciosos empresários do entretenimento "popular".

Em muitos casos, empregadores chegam a aceitar trabalho de pessoas condenadas por homicídio e que são beneficiadas pelas brechas legais de liberdade condicional. Para estes casos, não há desculpa de "falta de dinheiro", se o criminoso tem boa aparência e um bom status social, é aceito.

Até na vida amorosa mulheres chegam a preferir homens que já cometeram algum homicídio, mas são bem aparentados, conhecem regras de etiqueta e possuem uma boa conversa. Ou, quando não possuem boa aparência, pelo menos possuem uma profissão empresarial, executiva, política ou liberal.

O Brasil vive a ilusão das aparências. A crise do status quo se dá porque as pessoas que se protegem por inúmeros aparatos de "superioridade social" - dinheiro, fama, idade, liderança, diploma, poder etc - estão cometendo mais e mais erros, não erros comuns mas erros que põem a reputação em cheque, embora sejam tais pessoas poupadas de qualquer queda pela blindagem que recebem.

Daí que o Brasil que se volta com fúria contra uma figura como o ex-presidente Lula é a que se revolta quando surgem denúncias consistentes contra Francisco Cândido Xavier. É porque, enquanto Lula tem aquela aparência de operário rústico e robusto, Chico Xavier marcou sua vida com a aparência de caipira ingênuo depois somada de um velhinho frágil de olhares chorosos.

O Lula que promoveu medidas que, embora não sejam perfeitas, valorizavam a economia nacional e contribuíram para diminuir a desigualdade social e, ainda que timidamente, para aumentar a qualidade de vida das classes populares com a valorização dos salários e do poder aquisitivo, está associado a um suposto currículo de roubalheira às custas de propinas e negociatas diversas.

O Chico Xavier que realizou gravíssimos pastiches e plágios literários, usurpador de mortos que se autopromoveu às custas das tragédias familiares para promover sensacionalismo, ostentação de casos particulares e fraudes nas mensagens supostamente psicográficas, está associado a um suposto trabalho de caridade, ativismo social e mensagens em tese de positividade e incentivo humano.

As pessoas se iludem com as aparências e acham que suas convicções neste sentido permanecerão de pé, por mais intensas que sejam as circunstâncias que provem o contrário. E as pessoas com status quo tendem ainda mais a esfregar os cabelos de tão pasmas que estão ou estarão diante da pressão dos tempos.

E no mercado de trabalho, no mercado acadêmico e outros âmbitos, o preconceito também é fruto do apego às aparências. O mercado de trabalho que prefere funcionários jovens, belos e alegres, os concursos públicos que exigem matemáticos e advogados mesmo quando se voltam para vagas de nível médio ou fora dessas especialidades, revelam a aparência do status quo, do bom visual, do saber técnico sobrecarregado, das conveniências sociais e outros aspectos de mesmo nível.

Só que isso mostra o quanto o lado de cima da pirâmide apodrece, e é inútil o Brasil tentar forçar uma marcha-a-ré histórica, sacrificando progressos sociais em prol da preservação de antigos privilégios, velhos paradigmas e dogmas antiquados, hoje em processo avançado ou mesmo concluído de obsolescência.

O "velho Brasil" tenta resistir, e resistir na marra, acreditando que retomará a mesma austeridade política-econômica da ditadura militar, mesclada a um pragmatismo político da República Velha e valores morais do Brasil-colônia, como se destruir a base da pirâmide resolvesse alguma coisa para salvar o topo que apodrece e fede de tão acelerado perecimento.

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