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"Espíritas" brasileiros odeiam suicidas

Nas últimas semanas perdemos dois grandes nomes da comédia, Fausto Fanti (do grupo humorístico Hermes & Renato e da banda Massacration) e o consagrado Robin Williams. Apesar de trem vivido para fazer as pessoas sorrirem, eram depressivos em suas vidas particulares e encontraram um estopim para praticarem o suicídio.

Muita gente ficou muito triste com a morte desses dois talentos, pois eram caras que nos traziam a alegria e de certa forma a esperança. Uma esperança que, ninguém sabe ou poderá saber, não fazia parte da vida dos mesmos talentosos comediantes.

Mas uma turminha se prepara para exorcizar Williams e Fanti, se mantendo alheios a comoção pela perda de grandes nomes da comédia. Os espiritólicos, aquela gangue chata que despreza Allan Kardec e que pensa que o tolo Chico Xavier é um imaculado "anjo" enviado direto de Deus e condutor inquestionável de suas vidas, certamente estão tratando os dois comediantes de bandido para baixo. Explicação: espiritólicos odeiam suicidas.

Os espiritólicos, adeptos da fé cega que se utilizam do nome da ciência só para autenticar as bobagens que eles insistem em acreditar e defender, interpretaram mal as notas que mostram que suicídios são desvantajosos para transformá-lo no mais cruel dos "crimes contra a justiça divina". Espiritólicos não conseguem aceitar o suicídio como um ato de desespero extremo e preferem ignorar todo o sofrimento passado por quem toma uma atitude extrema como essa.

Até porque os espiritólicos - lá vem mais bobagem - acreditam que o sofrimento em si purifica, ignorando que não é o sofrimento que eleva e sim a iniciativa em sair do sofrimento. Sofrer não é nada agradável e muito menos produtivo e a história da humanidade provou que é justamente a tentativa de sair dos problemas que tema alavancado a evolução da sociedade. permanecer no sofrimento acreditando que sofrer eleva e uma ignorância sem tamanho e sinal claro de preguiça e acomodação.

Não sou a favor de suicídios. Mas respeito muito os suicidas. Apesar de não ser uma boa solução para problemas (não é solução para coisa nenhuma, aliás), o suicida tem os seus motivos. É alguém que no desespero extremo não conseguiu refletir sobre alguma solução para o problema sofrido. Não devemos aprovar o suicídio, mas respeitar os suicidas.

E sem essa de "vale dos suicidas", uma espécie de aterro sanitário "espiritual" onde supostamente irão todos os que decidem encerrar suas vidas com as próprias mãos. O sofrimento do suicida é puramente psicológico e resulta do arrependimento de ter jogado fora uma oportunidade única para se evoluir.

Criminalizar o suicídio, como fazem os discípulos e devotos do tolo Chico Xavier, é uma falta de caridade bastante cruel e a incompreensão tipicamente egoísta do sofrimento passado por que decide se matar, sofrimento muitas vezes ausente na vida de quem crítica ou condena os suicidas.

Respeitemos os suicidas. Isso não representa nenhuma apologia ao suicídio, que é sempre um erro. Mas respeitar os suicidas é uma prova de amor e compreensão humana. Não sabemos se um dia encararemos uma situação de extrema gravidade como a que estimulou a infeliz resolução. Aguardaremos e vejamos se quando os problemas extremos começarem a aparecer, se somos capazes de resistir a uma decisão tão cruel. 

É fácil condenar suicidas quando tudo está bem.

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