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Noção de "bondade espírita" serve mais para comover as massas do que ajudar as pessoas

Não perceberam que os adeptos de Francisco Cândido Xavier, quando falam de "sua missão de bondade, caridade e fraternidade", recorrem sempre à falácia do apelo à emoção, sem trazer uma visão objetiva da coisa?

Essa argumentação viciada de uma "bondade" que mais parece fantasia do que realidade - embora, no Brasil, a fé religiosa sempre se empenhe para exercer, senão o monopólio, pelo menos a hegemonia sobre a realidade - nem de longe serve para valorizar a verdadeira ajuda ao próximo, mas apenas a cultuar a "bondade" quando ela é associada a uma instituição ou a um ídolo religioso.

Trata-se de uma "bondade" que os especialistas definem como "assistencialismo" ou "caridade paliativa". Uma "caridade" que só serve para deslumbrar e arrancar comoção das plateias, algo que mais parece um espetáculo do que realmente um ato de amor ao próximo. Uma "caridade" cujos resultados são duvidosos ou imprecisos, embora por trás deles haja também a triste realidade de uma pretensa filantropia que pouco ajuda os necessitados e favorece mais a projeção pessoal do "benfeitor".

Observa-se que a "caridade" de Chico Xavier sempre é defendida diante de argumentos vagos. "Ele vendeu muitos livros, mas não ficou com um tostão". "Ele ajudou muita gente". "Sua vida foi puro ato de amor". Declarações subjetivas, falácias emocionais, típicas da beatitude religiosa, mas que nunca trazem alguma informação concreta ou um dado objetivo a respeito dessa "caridade".

Quantas pessoas foram ajudadas por Chico Xavier? "Sei lá, muita gente. Só isso já é maravilhoso", diria um típico midiota de "crença espírita". Divaldo Franco apresenta dados "mais objetivos", mas aí entra a decepção: sua Mansão do Caminho, em 65 anos de existência, não conseguiu ajudar um por cento da população brasileira. Foi uma "caridade" cujo maior beneficiado foi o próprio "benfeitor" Divaldo Franco, famoso por seus discursos verborrágicos.

A "caridade" desses "médiuns" é tão inexpressiva que o resultado é aquém até mesmo da reputação que eles têm. Cidades "protegidas" por suas "energias elevadas", como Uberaba e o bairro de Pau da Lima, em Salvador, são marcadas por pobreza imensa e violência em graus preocupantes. Se a "bondade" de Chico Xavier e Divaldo Franco tivesse realmente fazendo sentido (e resultado), esses lugares seriam de notável prosperidade social. Mas ocorre o extremo oposto, e não é por desprezo a esses ídolos religiosos, tão cultuados nesses lugares.

Daí que não dá para usar o argumento da "bondade" para legitimar os deturpadores da Doutrina Espírita. Essa "bondade" mais parece marketing e serve de gancho perigoso para legitimar a deturpação. O fato de distorcer e empastelar o trabalhoso legado de Allan Kardec já é crueldade suficiente para que se use a desculpa de que os pretensos médiuns valham pela "bondade".

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