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O homem do carro e a criança ingênua


Um homem está no carro observando uma mãe e um filho andando numa rua de uma grande cidade. Uma criança pequena lhe chama a atenção, um menino pequeno, com menos de 10 anos de idade, peralta e que adora correr solto. Em muitos casos, a mãe precisa gritar para o filho voltar para perto dela.

Vendo essa moleza toda, o homem fica apenas de olho. Quando a criança está a uns poucos metros do automóvel, numa calçada com um movimento normal de pessoas indo e vindo numa área urbana, o homem se aproximou do menino.

- Posso lhe falar uma coisa? Senti simpatia por você. - diz o homem, forjando um ar paternal.

- Sim, moço? - pergunta o menino, de um jeito ao mesmo tempo risonho e despreocupado.

- Isso me lembra o caso de um menino que virou um grande homem. Sabe como um menino lindo como você pode se tornar um bom homem?

- Não, tio! Me diz, me diz!

- Era uma vez um lindo menino, carinha de anjo, pode ser louro ou moreno, mas era doce como um anjinho!

- Puxa vida, e como era esse menino?

- Igualzinho a você! Um menino peralta, inquieto, mas boa, boa gente! Um menino que corre solto, que é livre, gosta de viver!

- Nossa! E esse menino o que é que tem?

- Tem muito futuro! Ele um dia ganhou uma nova oportunidade da vida, que lhe trará boas coisas, como um presente de Natal.

- E o que são essas coisas boas, meu tio?

- Você quer mesmo saber? Você está pronto para isso?

- Sim, tio, me conta! Me conta! Eu quero saber!

- Você quer que titio conte o resto da história? É uma coisa muito, muito linda!

- Nossa, tio, é lindo, sim! Eu quero ouvir! Me conta!

- Titio não tem tempo! Titio precisa ir, mas se você quiser eu te dou uma carona e conto todo o resto da história no caminho! Mas você tem que ir comigo para saber o final, que é muito lindo, viu?

- Sim, tio! É lindo, é lindo. Mas...

- Ah, tá esperando sua mãe? Não se preocupe, eu te levo comigo e depois ligo para ela te buscar!

Antes que o menino respondesse, a mãe chegou e, preocupada, correu para pegar o menino pela mão. Friamente, se dirigiu ao homem para dizer, friamente: "Com licença!".

O homem teve que se resignar. Não podia reagir, diante do movimento das pessoas e com alguns policiais provavelmente por perto.

O menino escapou de ser sequestrado. Aquele homem do carro era um sequestrador.

Troque os nomes. O sequestrador pelo ídolo religioso, um mistificador "espírita". O menino por uma pessoa qualquer. A mãe por um alguém mais esclarecedor, uma pessoa que quer avisar outrem de armadilhas mais engenhosas. E a "história" do menino que vira um grande homem pela de um cidadão ordinário que vira "espírito de luz".

Você seria capaz de cair nas armadilhas da fé cega por causa de relatos lindos de pessoas ordinárias que se transformam em "almas puras"? Você abriria mão de sua vida comum em prol do balé de palavras lindas e atraentes?

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