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Como os "espíritas" se safam deturpando Allan Kardec

Existe uma prática muito conhecida no Brasil, chamada "jeitinho brasileiro". Trata-se de uma forma de obter vantagem não só de maneira fácil, mas também procurando evitar as consequências naturais de uma atitude considerada inconveniente, ilícita ou prejudicial a alguém.

Com o "jeitinho brasileiro", o picareta ou o algoz de ocasião procura se proteger manipulando as circunstâncias, sobretudo quando tenta obter o respaldo das leis e o apoio popular, mesmo quando nenhum mérito lhe assegure tais benefícios.

Com o "jeitinho brasileiro", se permitem aberrações diversas que se tornam socialmente aceitas. A corrupção feita por políticos conservadores, como os que reconquistaram o poder por intermédio de Michel Temer e Eduardo Cunha, chega a ser aceita pela chamada "boa sociedade", aquela que se arroga em ter "as melhores qualidades morais" e pensar "no progresso humano dos brasileiros". 

O senador Romero Jucá, por exemplo, foi revelado estar planejando uma manobra para manter impune um terrível e assustador esquema de corrupção, em conversas gravadas por um ex-senador e ex-presidente de uma subsidiária da Petrobras. Meses depois, ele será um dos líderes do governo Michel Temer e a mídia o promove como se fosse um "político responsável e honesto".

O Brasil acoberta a corrupção e as fraudes de forma surpreendente, e hoje a suposta "normalidade institucional" é, na verdade, uma deterioração institucional sem precedentes na história do país. Se em outros momentos os poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e midiático (o tal "quarto poder") demonstraram casos de corrupção, como o apoio do Supremo Tribunal Federal e da Rede Globo ao golpe militar de 1964 já autorizado pelo Congresso Nacional, hoje a coisa atingiu níveis deploráveis.

A corrupção atinge até mesmo as religiões. E da forma como se menos imagina. No "espiritismo", cuja blindagem, sobretudo na mídia e nos meios jurídicos, recebe a impunidade plena comparável ao do PSDB, há um grande artifício que faz com que os deturpadores se passem por "espíritas autênticos".

Trata-se de deturpar o legado de Allan Kardec a partir de traduções igrejeiras de suas obras. As principais são as da própria Federação "Espírita" Brasileira, da pessoa de Guillon Ribeiro, e da editora IDE (Instituto de Divulgação "Espírita"), de parte de Salvador Gentile. A FEB já está lançando obras de Kardec com outro tradutor, mostrando como é fácil manipular o texto de Kardec, cheio de muitos tradutores.

Todavia, só a tradução feita ou coordenada por José Herculano Pires (sobrinho do artista caipira Cornélio Pires) - a tradução de O Que É o Espiritismo? por Wallace Leal Rodrigues segue essa linha - correspondem ao texto original do Codificador, procurando se aproximar da honestidade doutrinária das palavras originais.

A manipulação do texto de Kardec ao sabor dos deturpadores da Doutrina Espírita cria algo que se compara a uma equação matemática no qual a primeira conta é feita errada. É como um caminho bem percorrido mas originado de uma partida equivocada, de uma largada errada.

Diante de traduções deturpadas da obra de Kardec, os "espíritas" lançaram a senha para seu "bom espiritismo". Com o pedagogo francês reduzido a um igrejista, pode-se desenvolver "honestamente" o "espiritismo" brasileiro através de lições de "amor e fraternidade" trazidas através dos "textos de Allan Kardec".

Com isso, responsabilizam um suposto Allan Kardec pelas ideias igrejeiras, pelo religiosismo exacerbado e por um falso cientificismo trazido por traduções tendenciosas. A manobra permite que os deturpadores do Espiritismo no Brasil possam atribuir ao Codificador ideias que o pedagogo, em verdade, nunca aprovaria e nem teria coragem de conceber.

Por isso, os "espíritas" podem até brincar com as palavras de Erasto, São Luís e outros espíritos que fizeram alerta sobre a própria deturpação espírita. Como um assaltante que pratica um roubo e depois liga para a polícia dizendo que ocorreu um assalto, os deturpadores da Doutrina Espírita usam os denunciadores dessa deturpação para favorecer e legitimar a própria deturpação.

É uma fraude muito bem construída que criou o "crime perfeito" do "movimento espírita", que se desenvolve como um balé de palavras bonitas e um artifício da caridade paliativa, uma "filantropia" que mais encanta as pessoas do que realmente ajuda. Os assustadores índices de violência em Uberaba, reduto de Chico Xavier, e o bairro de Pau da Lima em Salvador, reduto de Divaldo Franco, mostram que essa "caridade" não passa de conversa para boi dormir.

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