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"Espíritas" detestam e reprovam o pensamento crítico

Um artigo recente de um conhecido palestrante "espírita" revela a inquietação do referido articulista diante das polêmicas que envolvem o "movimento espírita" brasileiro.

Segundo ele, as críticas atingem o aspecto religioso desenvolvido pelo "espiritismo" brasileiro, o que o faz discordar desses questionamentos, acusando as críticas de serem fruto de um "exclusivismo da Ciência".

Investindo na dissimulação própria do "espiritismo" brasileiro, que, sabemos, se desenvolveu não com base nos postulados de Allan Kardec, mas nas deturpações igrejeiras de Jean-Baptiste Roustaing - que, assim como o deputado Eduardo Cunha hoje, foi escondido debaixo do tapete, embora seu legado ideológico tivesse sido preservado - , o palestrante inventa, tomando como base uma tradução malfeita dos livros kardecianos, que o "espiritismo" brasileiro estabelece um "equilíbrio" entre Ciência, Filosofia e Religião.

Isso tudo é falácia. O referido palestrante ainda toma como base trechos do livro Emmanuel, nome do traiçoeiro jesuíta de textos rebuscados e ideias grotescamente medievais, que havia sido mentor (ou obsessor?) de Francisco Cândido Xavier, o "festejado" Chico Xavier de seus fanáticos seguidores.

Um desses trechos tem o título brutal de "O Tóxico do Intelectualismo", que o convencido palestrante "espírita" reproduz para argumentar sua condenação ao pensamento questionador, o que prova que o "espiritismo" só aceita a Ciência e a Filosofia quando elas estão nos seus "terrenos" específicos. Quando elas partem para questionar a Religião, se tornam altamente condenáveis.

Além disso, o palestrante "espírita" parece ter tomado de insegurança, por trás desse discurso moralista contra o "exclusivismo da ciência", que outros "espíritas" já definiram também como "overdose de raciocínio", com vários deles, nas redes sociais, manifestando condenar esse lado "excessivo" de Allan Kardec.

SIGNIFICADO POR TRÁS DAS APARÊNCIAS

O que está por trás desse discurso, dessa falácia do "exclusivismo da ciência", da "overdose de raciocínio" ou coisa parecida, está a condenação do aprofundamento do pensamento crítico. O próprio Emmanuel disse, em muitas passagens, para as pessoas nunca contestarem ou questionarem, o que, para os chiquistas, parece maravilhoso botar um freio no "saber descontrolado".

Só que os "espíritas" se esquecem que o próprio Allan Kardec reprova severamente estas posturas e os espíritos afins que colaboraram com mensagens divulgadas nos livros kardecianos, como Erasto, já sabem a farsa dos deturpadores que o "espiritismo" brasileiro depois consagrou.

Usando mensagens do espírito de São Luís, presentes em O Livro dos Médiuns, no capítulo 24, Identidade dos Espíritos, questão 266, nota-se o seguinte recado, no item 5 das advertências do espírito manifestante sobre como diferir os espíritos benfeitores e levianos:

"Não devemos julgar os Espíritos pelo aspecto formal e a correção do seu estilo, mas sondar-lhes o íntimo, analisar suas palavras, pesá-las friamente, maduramente e sem prevenção".

Isso significa que deveríamos tomar cautela com as mensagens de Emmanuel, considerado por muitos um espírito traiçoeiro e mistificador, sem nos iludirmos com o aspecto formal e o estilo de escrita culta e rebuscada, e analisarmos a mensagem oculta de suas palavras, pensando sem paixões religiosas e sem a prevenção, descrita aqui como sinônimo de condescendência.

No item 10 das advertências de São Luís, aspectos da personalidade tirânica de Emmanuel - que obrigava Chico Xavier a "trabalhar" mesmo quando doente e cansado - , trazidos pelo jornalista Marcel Souto Maior (que não é o que podemos chamar de contestador do "espiritismo" brasileiro), no livro As Vidas de Chico Xavier. Vejamos:

"Os Espíritos bons jamais dão ordens: não querem impor-se, apenas aconselham e se não forem ouvidos se retiram. Os maus são autoritários, dão ordens, querem ser obedecidos e não se afastam facilmente. Todo Espírito que se impõe trai a sua condição.

São exclusivistas e absolutos nas suas opiniões e pretendem possuir o privilégio da verdade. Exigem a crença cega e nunca apelam para a razão, pois sabem que a razão lhes tiraria a máscara".

Bingo! É esse trecho que desqualifica o "conselho" de Emmanuel que o tão "sapiente" palestrante "espírita" tanto descrevia "coerentemente". Emmanuel, que se sabe, teve um temperamento autoritário (que condiz com sua encarnação mais famosa, o medieval jesuíta Manuel da Nóbrega), falava do "tóxico do intelectualismo" como desculpa para que ninguém o desmascarasse.

Emmanuel se achava "exclusivista e absoluto" em suas opiniões e pretendia possuir o privilégio da verdade. Isso ele deixou claro, embora, como todo dissimulador, tentasse desmentir eventualmente essa postura.

Além disso, Emmanuel exigia a crença cega, através dos apelos de "não questionar", "não queixar", "não contestar", mas "orar e amar" e "crer no poder do Pai (Deus)". Evidentemente Emmanuel condenaria os "excessos" da razão, uma forma eufemística de dizer que a razão é maléfica quando desmascara as ilusões do dogmatismo religioso.

Isso comprova o caráter medieval do "movimento espírita", seus vínculos com o igrejismo jesuíta do Brasil colonial, com correntes como a Teologia do Sofrimento, e com um roustanguismo envergonhado que, num Brasil que esconde Eduardo Cunha enquanto aproveita as ideias retrógradas deste através do governo de Michel Temer, continua preservado mesmo com o nome de Jean-Baptiste Roustaing escondido nas gavetas mofadas dos gabinetes "espíritas".

Não há como desmentir isso, e mesmo quando surgem deslumbrados como Juliano Pozati, que, altamente dissimulador, traveste de "ciência" e "filosofia" o igrejismo retrógrado de Chico Xavier, o medievalismo católico continua batendo forte nos corações dos "espíritas". As ideias falam muito mais do que mil argumentos que tentem desmenti-las.

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