Pular para o conteúdo principal

Conceito de crianças índigo pode ser preconceito contra pessoas rebeldes e hiperativas

As religiões sempre gostaram de pessoas obedientes. As próprias surgiram justamente para estimular a obediência, através da criação de uma forma ficcional de Deus, personalizada e bastante autoritária, que premia ou pune de acordo com o nível de obediência dos fiéis em relação à religião. Obediência, não a Deus, já que ele não pode ser autoritário e personificado, mas aos líderes religiosos, os verdadeiros mandantes da fé cega humanitária.

Com a forma deturpada do "Espiritismo" não é diferente. Altamente dogmatizada e com uma fé cega tão alienante quanto a de outras crenças (embora se auto-rotule de fé "raciocinada"), o Espiritolicismo, como deveria ser conhecida esta forma deturpada, Chiquista e cheia de enxertos, sobretudo católicos (Xavier e Bezerra foram católicos da gema, até morrerem), se apressou também de criar um Deus a seu bel prazer, tão autoritário e personalizado quanto os Deuses das outras crenças, embora menos material que os outros.

E na onda de enxertos que contaminou a versão brasileira daquilo que deveria ser o Espiritismo, uma seita, não a católica, foi imediatamente absorvida com uma estranha tese que ajudou a colocar em um canto os jovens que demostram algum tipo de rebeldia ou hiperatividade: a tese das crianças índigo.

Já falamos aqui sobre esta teoria. Não acho preciso aprofundá-la nesta postagem. O que queremos lançar aqui é a ideia de que esta classificação equivocada pode esconder na verdade um preconceito humilhante para os jovens que são hiperativos ou tem um nível de senso crítico alto, se recusando a obedecer cegamente a quem quer que seja.

A absurda tese coloca pessoas que tem esse tipo de comportamento não-submisso como se fossem uma espécie a parte de ser. Como se fossem ou sobre-humanos ou sub-humanos. Mas em ambos os casos, sempre colocando  à parte do resto da humanidade, como se fossem "defeito de fábrica".

Divaldo Franco é um dos grandes entusiastas e difusores deste absurdo. Muitas pessoas, indo na carona do superestimado palestrante, acabam por acreditar nesta tese e o processo educacional dessas crianças acaba indo para o ralo, pois ao invés de serem educadas a transformar a não-submissão em fonte de criatividade e desenvolvimento intelectual, acabam isolando essas crianças do convívio salutar, pois elas são tratadas como se fossem seres "especiais", não-humanos.

Ignoremos esta tese absurda e entendamos e a não submissão é na verdade um sinal de evolução intelectual. Os não-submissos tem condições de questionarem, de observarem erros e de bolar soluções criativas para que o mundo sempre melhorem. Mas para isso é preciso que haja o convívio social com outras pessoas que aprenderão com elas a também não serem submissas.

A tese dos índigos é uma farsa e uma verdadeiro ofensa grave a quem se esforça por pensar por conta própria, desenvolvendo suas capacidades para se tornar útil em um mundo que a cada dia mostra que a submissão cega só leva a erros e a perpetuação desses erros.

Questionar é absolutamente salutar e os jovens questionadores nunca podem ser colocados em um grupo a parte para que o seu desenvolvimento intelectual (indispensável para a evolução espiritual) e o da sociedade que o rodeia, possam favorecer o crescimento físico, intelectual e moral que a coletividade tanto necessita.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Tudo para os ricos, nada para os pobres!

A guinada direitista do "Espiritismo" brasileiro, supostamente "orientada" pela "espiritualidade superior" (na verdade espíritos de velhos e odiosos macartistas disfarçados de "sábios") tirou definitivamente a sua mascara de "doutrina avançada". 
Incapaz de melhorar o país em mais de 130 anos, se limitando a caridade paliativa que não elimina problemas, mas cria meios de suportá-lo, o "Espiritismo" brasileiro agora abraça um governo golpista e ideias retrógradas que pretendem reservar o bem estar a uns poucos que compartilham de ideais retrógrados e meios suspeitos de vencer na vida.
O "Espiritismo" brasileiro, totalmente distante e em muitos pontos contrário ao Espiritismo original fundado por Allan Kardec, sempre foi uma seita de elite com um número grande de seguidores de alto poder aquisitivo e graduados em faculdades. O que não significa que sejam mais inteligentes, pois o "Espiritismo" brasileiro ag…

Anti-esquerdismo "espírita" vai contra proposta da caridade

O "Espiritismo" brasileiro é cheio de contradições, graças a sua recusa em raciocinar e analisar tudo que chega aos seu redor. Abraçou a fé cega e a bondade estereotipada e se limita a fazer caridade paliativa, aquela que serve de mera compensação para que os necessitados se mantenham em suas condições humilhantes. 
Agora, os "espíritas" (de Chico Xavier) e os espíritas (de Allan Kardec) encanaram de aderir ao sádico ódio fascista anti-esquerda. Criminalizaram os movimentos sociais, a personalidades de esquerda e glorificaram o excludente Capitalismo, se baseando na tolice da meritocracia e descartando de uma vez por todas a acridade mencionada por Allan Kardec, um socialista, em suas obras.
Só o direitismo assumido pelo "Espiritismo" brasileiro jé envolve um festival de contradições que poderão implodir a doutrina no Brasil, que já é muito fraca em outros países. Ela entra em violento choque com a finalidade original da doutrina, que é a caridade, além …

Ódio anti-petista de Robson Pinheiro pode ter orientação de espíritos de senhores de engenho e adeptos do Fascismo

O "Espiritismo" sempre foi conhecido como a religião da razão e do amor. Mas Robson Pinheiro que mudar isso. Para ele o "Espiritismo" passa a ser a doutrina da barbárie e do ódio. Incapaz de negociar com aqueles que não se afinam com suas convicções políticas elitistas, Pinheiro se une aos neo-pentecostais e derrama a sua gosmenta baba de raiva contra a esquerda, ignorando os verdadeiros responsáveis pela crise, que é mundial e desprezando os bastidores do poder.
Robson é um autêntico analfabeto político, pois dá sinais de que não sabe das complexas relações de poder, num perfeito exemplo de pedantismo político. E de acordo com a lei de afinidade (ignorada pelos "espíritas" brasileiros), atrai espíritos de senhores de engenho e de simpatizantes do Fascismo. Pinheiro psicografa um livro "político" demonstrando escancarado desconhecimento sobre o assunto. Ignora fatos que comprovam que a verdadeira quadrilha é justamente os políticos que ele apoi…